Central Lusitana
Cuidamos de Sí. Venha conhecer-nos, estamos a Sua espera...
50621total sites visits.
Simulador Crédito
CHF
 
Search here:

Blog

Home > Geral  > Cobrar Impostos dos seus bens

Os dados mostram que residem na Suíça cerca de 270 mil emigrantes portugueses e é sobre estes que paira o fantasma de pagar impostos retroativos do património em Portugal que não declararam durante dez anos. 

Para muitos portugueses ir viver e trabalhar para a Suíça foi sempre uma solução. Nem sempre encontraram o que tinham sonhado, mas foram ficando. Agora, o El Dourado pode estar a um passo de deixar de existir para muitos.

Há dez anos que os portugueses emigrados na Suíça são obrigados a declarar o IRS do património que possuem, desde poupanças, a veículos ou aplicações financeiras. Tanto no país de origem como no de destino. Mas, até aqui, não existiam instrumentos para aplicar as penalizações a quem omitisse informações sobre o património. A lei existia, mas não era severamente fiscalizada. Agora vai passar a ser e levanta vários problemas. A Suíça quer apertar o cerco ao património que não é declarado e as alterações batem à porta de muitos já no próximo ano. Entrou em vigor o acordo em matéria de transparência fiscal que vai permitir, já no próximo ano, a troca automática de informações ao nível dos saldos das contas bancárias. Na prática significa que aqueles que não declararem o património até março, ficam sujeitos a uma multa. Mas não só. Um dos maiores problemas, cuja consequência é muitos pensarem em regressar por falta de alternativa, tem a ver com o facto de ficarem ainda sujeitos ao pagamento de impostos com retroativos dos dez anos em questão.

Susana é portuguesa, mas tem já mais anos de Suíça do que de Portugal. Vive em Lausanne há 30 anos e não esconde que se multiplicam casos de emigrantes que não conseguem ver solução para este problema que agora enfrentam: «Conheço pessoas que não vão ter alternativa. Não vão poder ficar porque não vão ter como pagar os retroativos. Até porque, mesmo tendo conseguido juntar algum dinheiro, a vida aqui é cara e não dá para tudo. Seria deitar fora todos os sacrifícios».

Também Paulo, a viver na Suíça há 20 anos, admite que «o que não faltam são casos assim. Há cada vez mais pessoas a admitir deixar o país. Para aceitarem pagar a multa e dez anos de retroativos teriam de perder uma parte muito importante da poupança que fizeram. É o esforço da vida que vieram cá fazer. É normal que não queiram. Mas também é normal que não queiram ser forçados a voltar para Portugal».

A incerteza e o medo fizeram com que muitos decidissem assinar uma petição para que o Governo português tome posição. O tema continua a ser um dos mais difíceis para estes emigrantes. O Consulado Geral de Portugal em Zurique admite mesmo que recebe diariamente «dezenas de telefonemas» porque há mais dúvidas do que certezas.

A verdade é que, de acordo com os dados mais recentes, residem na Suíça cerca de 270 mil emigrantes. Serão afetados os que possuam imóveis num valor superior ou igual a 140 mil euros, ou seja, 150 mil francos.